Para o italiano a palavra é música,
Para o francês ela é uma faca afiada,
E para o chinês a palavra é silêncio.

Isto é Educação Intercultural: uma pedagogia que nos ensina novas formas de se comportar nos encontros interculturais. Que nos faz refletir sobre nossa cultura e a cultura do outro e sobretudo – a relativizar as culturas como construções vivas dentro de nós mesmos e dos demais.

Educação Intercultural

A Educação Intercultural é uma pedagogia social, de relação e comunicação que tem como crença central a diversidade como fonte de aprendizagem e enriquecimento (Beccegato, L. 2003). Resulta claro, portanto, que não é nada fácil o desenvolvimento das habilidades interculturais uma vez que pressupõe mudança e superação de si mesmo – seu etnocentrismo, intolerância, rigidez, e arrogância como formas naturais de defesa pessoal (Poletti, 1992). A abordagem feita pela Educação Intercultural  nos TI´s pressupõem, mais do que um olhar acurado sobre o tema, mas um método profundamente desenvolvido para sensibilizar nossas ferramentas interculturais.

A Educação Intercultural é uma aproximação progressiva, usando  o termo de Franco Cassano*  que vai de nossa clausura etnocêntrica ao diálogo intercultural. Por isso (Gusso, 2004) diz que a dificuldade da Educação Intercultural reside na necessidade autêntica do sujeito de desenvolver a escuta atenta ao outro, o descentramento cognitivo e as competências necessárias para superação de mal-entendidos e percepções erradas que normalmente temos de culturas distantes da nossa.

Como se pode perceber, a  ênfase é sempre na intercultura porque se entende ser uma Pedagogia Científica projetada para a interação entre as partes. Numa lógica intercultural o processo de socialização parte do pressuposto que trabalhamos para a integração do sujeito em ambientes diferentes do seu (Wallnofer, 2000) e nesse sentido, enquanto a Psicologia Intercultural nos ajuda a compreender toda a complexidade dessa integração, a Educação Intercultural vem nos ensinar novas formas de abordar essa complexidade.

A Educação Intercultural acontece de forma viva, pois se baseia num planejamento construtivista (AA. VV. 1992), interacionista (Cambi, F., 2001), epistemológico (Perucca, A. 2001) e socioafetivo (Aguado Odina, M. T. 2003).  Iniciamos pela vivência e provocamos situações que nos ajudam a experimentar em nós mesmos o que estamos trabalhando (o que chamo de Jogos de Análise e Jogos de Simulação Intercultural). Até que estas experiências não sejam vivenciadas e sentidas, não entraremos com teorias ou outras informações. Neste processo de aprendizagem obedecemos três momentos: sentir, pensar e atuar (De Santis, M. G. 2004). 

Em outras palavras, a Educação Intercultural se baseia na experimentação. Mas não apenas uma experimentação livre de afetos, mas uma vivência profundamente afetiva e lúdica, de divertimento e entretenimento. Aprendemos brincando, ou brincando, aprendemos. Não há a mínima possibilidade de aprendermos alguma coisa sobre preconceito, estereotipia, discriminação e adaptação apenas com o conhecimento intelectual, porque apenas a intelectualização não nos levará a uma mudança de comportamento.

A esta metodologia Dusi (2000) chama também de Educação para a Paz, pois se trata de potencializar nossa capacidade de lidar com o conflito de forma pacífica.  Este método não deprecia o intelectual, ao contrário, complementa-o, permitindo que o processo educativo realizado envolva a pessoa plenamente em razão e emoção. Com os Jogos vamos começar sentindo: sentindo que o importante nas relações interculturais é ser escutado, apreciado, respeitado, ser valorizado pela pessoa que sou. Depois de sentir, vamos pensar, e vamos fazê-lo a partir das experiências vividas. As avaliações de cada Jogo estarão ali para ajudar-nos a tirar nossas próprias conclusões.

E, finalmente, de pouco nos serviria sentir e pensar se não tivéssemos a possibilidade de atuarmos. E é através da expatriação que o faremos, que teremos a possibilidade de mudar nossas atitudes frente a valores, crenças e afirmações que anteriormente nos confundiam. A expatriação, o intercãmbio, amigração como um todo  neste momento torna-se um imenso convite para o crescimento pessoal onde, provavelmente, muitos estarão sensibilizados e entusiasmados por aceitar.

* Approssimazione. Esercizi di esperienza dell'altro, Il Mulino, Bologna, 1989

 
     
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