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COMO SER UM DELES SEM DEIXAR DE SER EU MESMO

Psicóloga diz que o questionamento traz maturidade e ganhos à vida

Autor: Célia Curto
Fonte: Guia Belta 2002

Dois crescimentos, um individual e outro social, são ganhos na vida de quem passa por um programa de estudo no exterior. É assim que a psicóloga Andréa Sebben, de 32 anos, especializada em Psicologia Intercultural, com mestrado em Psicologia Étnica, vê as experiências educacionais fora do Brasil. Grande nome no país na elaboração de programas preparatórios para quem está prestes a encarar uma viagem, Andréa é consultora d diversas operadoras.

Capacidade de se colocar no lugar do outro, de aprender a arte do encontro, de ampliar a generosidade, de ampliar novas formas de amor e perdão, de sociabilizar em um meio estranho e desenvolver habilidade de negociação estão na lista de conquistas que a Andréa julga serem as mais importantes para quem mergulha nessa aventura. “Como conseguir ser um deles sem deixar de ser eu mesmo?”, pergunta a psicóloga, lembrando que esse é um dos questionamentos mais freqüentes na cabeça desses estudantes.

FAMÍLIA TEM QUE SE CONTROLAR

“Só a fixação da identidade cultural como o Brasil leva à possibilidade de abrir-se a novas culturas”, explica a psicóloga. Para ela, o estresse intercultural, ou a dificuldade de adaptação entre quem chega ao país aos nativos, só ocorre quando há desequilíbrio entre os três pontos envolvidos nessa relação: o hóspede, o hospedeiro e o cotidiano anterior. “Quando os pais ficam no telefone dizendo que estão morrendo de saudades, estão plantando a semente desse estresse”.

Segundo Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães, diretor do Colégio Santa Cruz, na zona oeste de São Paulo, cerca de 10% dos alunos do Ensino Médio da escola passam pelo menos um semestre no exterior o que, para ele, eleva o nível do colégio como um todo. “Nossos alunos são normalmente muito paparicados em casa e, na convivência com outra família, onde eles são postos em situações diferente dessa, o crescimento é enorme”. Além disso, ele lembra a importância do ganho cultural e lingüístico: “O conhecimento de idiomas e sociedades diversas traz maturidade”.

 
     
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