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Correio da Bahia
Entrevista com Andrea Sebben
Perguntas:
Inicialmente, gostaria de uma breve apresentação pessoal: sei que a senhora é psicóloga, mas onde nasceu? Idade? É casada? Formou-se aqui no Brasil mesmo? Com que idade deixou o país para morar no exterior? Como foi esta experiência para alguém que ainda não era uma especialista no tema?
Oportuna esta pergunta. Sempre começo me apresentando, até para contextualizar de onde nasceu minha atuação na área da Psicologia Intercultural. Costumo dizer que são esses encontros que todos temos com o destino, e só ficamos sabendo encima da hora! Fiz o programa au-pair, em 1989 e acabei fazendo a faculdade em Madrid (Psicologia). Durante a faculdade fiz estágio durante 1 ano no Centro de Acogida a Refugiados y Exilados e nesse momento comecei a me questionar como a psicologia nunca havia parado para estudar os fenômenos migratórios, os processos de adaptação, as relações hóspede-hospedeiro. E de fato havia um área que estava inciando, a chamada Cross-Cultural Psyhology, ou Psicologia Intercultural. Ela trazia respostas bem mais concretas ao drama dos estrangeiros do que qualquer outra escola psicanalítica ou cognitivista. Depois de terminar a faculdade, fui ser voluntária numa grande universidade belga (Louvain-la-Neuve) e lá trabalhei no Centre des Etudiants Etrangers, cuidando da adaptação do estrangeiro que chegava e de algumas famílias hospedeiras. Foi muito interessante porque me ensinou muito à respeito da adaptação dos hospedeiros do quanto também é difícil para eles. E finalmente Roma foi minha última cidade de acolhida, onde novamente fui voluntária durante 18 meses num Programa do Conselho Europeu (Progetto Gioventtu per l ´Europa) fazendo a preparação dos italianos para fazerem interc6ambio dentro da Europa. Por conta desse voluntariado eles me presentearam com um curso de Especialização em Educação Intercultural. Assim que meu trabalho tem duas ciências profundamente complementares: a psicologia intercultural que nos ajuda a compreender perfeitamente os fenômenos migratórios que acontecem conosco e com os hospedeiros e a Educação Intercultura, que nos ensina novas maneiras de se comportar nos encontros interculturais. A Ed. Intercultural é como se fosse a antiga Moral e Cívica, só que voltada para o cidadão do mundo.
A personagem Sol da novela das oito América, protagonizada pela atriz Débora Secco, mostra a luta de um brasileiro para conseguir sair do país em busca de melhor condição de vida. O sonho de Sol é o mesmo de muitos outros brasileiros que acalentam a ilusão de uma vida feliz longe daqui. A senhora acredita que a experiência de morar em outro país é sempre benéfica?
Difícil dizer que uma experiência em outro país é sempre benéfica. Toda migração tem pelo menos 3 características básicas: é uma experiência de risco, de ambivalência e de solidão. Ambivalência porque são ganhos e perdas profundas ao mesmo tempo. Na verdade, um primeiro momento de muitas perdas, e paulatinamente os ganhos vão dando lugar a elas. Todos que saem do seu país sabem das coisas que vão deixar mas não sabem as coisas que vão ganhar. Por isso ninguém tem 100% de certeza de que essa é a escolha certa. Por isso choro e riso, festas de despedida com momentos de alegria, orgulho e outros de medo e angústia. A outra característica é a solidão: tudo o que você conquistar (desde aprender a pedir um pedaço de pão na padaria), até amigos, pessoas que te querem bem, o idioma, a geografia, o saber orientar-se dentro das cidades, tudo são conquistas pessoais e instransferíveis. Da mesma forma as lágrimas, arrependimentos, dores e desamparo são únicos. Não há nada nem ninguém que possa mensurar ou compreender esses sentimentos. Eu poderia passar anos contando como foi viver na Itália, na Bélgica ou na Espanha mas nunca ninguém poderá captar a riqueza do que foi viver por lá. E finalmente o risco: estamos lidando com gente, gente que vai, gente que recebe, que emprega, que acolhe em suas famílias vountárias. Não há como prever o comportamento destes hóspedes e destes hospedeiros. Portanto dizer que é sempre benéfica seria um pouco precipitado de minha parte. O que posso dizer é que é sempre enriquecedora, mas que é fundamental saber lidar com o risco, com a solidão e com a ambivalência. E quem não se sente disposto a vivenciar esses sentimentos então provavelmente não será benéfico.
Em geral, quais as dificuldades enfrentadas por um imigrante brasileiro nos países tidos como de primeiro mundo?
O encontro intercultural entre brasileiros e países de primeiro mundo são na verdade um conflito de valores e crenças culturais. Posto que cultura é comportamento todo nosso modo de amar, viver, perdoar, decidir, governar, tocar, vestir estão impregnados do que chamamos “jeito de ser”. São categorias culturais que estudamos detalhadamente na Psicologia Intercultural. Então vejamos: nós brasileiros, assim como gregos, malasianos, filipinos, portugueses fazemos parte de um grupo cultural chamado coletivistas. Outros países são chamados de individualistas (como os americanos, australianos, canadeneses, franceses). O que nos afasta destes povos é justamente o conflito entre individualismo & coletivismo. Nós, coletivistas, temos uma pequena distância corporal ao conversarmos, nos tocamos, apreciamos a exposição corporal, andamos em grandes grupos, perguntamos de nossas vidas, trocamos favores, somos comunicativos, afetivos, temos um senso de privacidade bastante pequeno. Eles, individualistas, não apreciam nem o contato nem a exposição corporal, andam em grupos pequenos, o senso de privacidade deles é enorme, não há troca de favores ou jantares íntimos nas casas dos amigos. Isso faz com que os brasileiros sintam-se rejeitados e emitam julgamentos como : “Eles são frios, arrogantes, egoístas, moralistas, reprimidos sexualmente, só pensam neles, etc...”Ou seja: não há a compreensão do relativismo cultural, de que talvez existam outros modelos de relacionamento e de amizade que sejam válidos. Compreender que podem fazer amigos sim, mas amigos “individualistas” e não “coletivistas”. Lembro de um grupo de engenheiros brasileiros com quem trabalhei e que estiveram em Londres por 2 anos. Pelas tantas, um deles desesperado por não ter conseguido um amigo sequer na empresa, resolveu convidar alguns colegas para uma janta em casa. Este brasileiro sentia-se profundamente desamparado com aqueles pensamentos “ninguém gosta de mim, por que não me convidam, etc.etc...” Durante o jantar um dos britânicos, emocionado, declarou: “Puxa! Em 20 anos de empresa é a primeira vez que um colega me convida para jantar em sua casa...Que boa iniciativa, obrigada!” Ou seja: não havia nada de errado com o brasileiro e ele pôde compreender ali que é a forma deles serem, inclusive entre eles também, que determina a forma de comportarem-se como grupo.
Os atentados e a onda de terrorismo tem contribuído para aumentar as dificuldades de ingresso e permanência nos Estados Unidos. A fiscalização está, mais do que nunca, rigorosa apesar dos imigrantes serem mão de obra barata. Na sua experiência, os brasileiros são bem-vindos em outras nações? Em que lugares eles encontram maior resistência?
Como um todo, os brasileiros são bem quistos em todos os lugares do mundo. Temos a fama de simpáticos, alegres, generosos, comunicativos, afetivos. Acho que encontramos maior resistência em países com distanciamento cultural maiores, ou seja, quanto maior a diferença cultural. Por exemplo: somos um povo profundamente etnocêntrico. Esse é um dos braços fortes da Psicologia Intercultural: compreender a força do etnocentrismo em nosso comportamento. Daí nossas frases tipo “Não estou acostumado...Eles são muito estranhos... Não consigo me habituar..”Como se os esquisitos fossem sempre os outros. Isso é a antítese da intercultura. Nossa atitude em querer ditar as regras, em acreditar que nós estamos certos e que o resto do mundo não sabe fazer as coisas atrapalha nosso approach frente às outras culturas. Bem, outro povo profundamente etnocentrista é o norte-americano. Daí o confronto maior: eles além de etnocêntricos são nacionalistas, nós apenas etnocêntricos e pouco nacionalistas. Mas o suficiente para o conflito ser grande. Ou seja: países como Estados Unidos, França, Inglaterra, Itália onde o etnocentrismo é forte o brasileiro encontrará resistência porque ele próprio agirá à favor dessa resistência. Entretanto países como Bélgica, Austrália, Nova Zelândia a acolhida será melhor, menos etnocentrismo, menos conflito com os brasileiros.
No que a experiência de viver no exterior, mesmo que por um período curto, difere de uma simples viagem de turismo?
Fundamentalmente a perspectiva. No turismo tu tens a prerrogativa de gostar ou não, e se não gostar, não volta mais. A perspectiva correta do intercâmbio é: como vou me ajustar? Porque se você ficar se perguntando gosto ou não gosto, viverá em dilemas intermináveis. Foi para morar, viver, trabalhar? Bem, há que ajustar-se. E a segunda perspectiva é: no turismo tu conheces a cultural de forma epidérmica – quase mercantilizada. Os hóspedes compram, os hospedeiros se vendem. E veja, não há problema nenhum nisso, por isso o turismo é tão apreciado. Sabe-se o que se está comprando. No intercâmbio, como já falei antes, não há controle, há risco. Muito risco. Não se compra um “pacote”, se compra um “destino”. E o destino, quem sabe como será?
A situação é também diferente para os que vão para outros países estudar, trabalhar ou simplesmente aventurar? O que quero saber é se a adaptação é mais fácil para alguém que faz um simples intercâmbio comparado com alguém que embarca com objetivo de trabalhar, ganhar muito dinheiro e mudar de vida?
Algumas variáveis são importantes para mensurar o sucesso de uma adaptação. São elas: quantos anos você tem, quanto tempo irá ficar, se há a possibilidade de retorno e quando, se vai acompanhado ou sozinho e a história pregressa que deixa no Brasil. Quem que quer que vá sem ter essas respostas claras já estará dando um passo em falso. Eu digo o seguinte: é tão difícil adaptar-se no exterior de verdade, ser feliz, manter seus ideais que é fundamental ter uma meta, um foco. Isso porque vontade de voltar, desistir, largar tudo ocorrerá muitas vezes e nesse momento é importante manter o foco. Ter uma razão para isso tudo. Portanto, deixar noivados mal-acabados, dívidas gigantescas, traumas de infância não ajudará em nada. Isso tudo a gente leva na mal, mesmo sem quere. Faço minhas as palavras do Amir Klink. “Qualquer um pode chegar onde quer, desde que saiba onde está indo.”
Como superar as adversidades de viver no exterior? Qual o conselho para quem quer ser cidadão do mundo.
Quando se fala em viver no exterior de forma inteligente fala-se em Educação Intercultural. Não há nada que supere essa grande sala de aula que é nosso planeta e nossa gente. Ser cidadão do mundo é um empenho constante de superação. Costumo dizer que a viagem é a arte do encontro – o encontro consigo mesmo. Portanto: ser corajoso, ter metas, ter focos, ter sonhos (e que sejam grandes e envolventes.) Mas abrir-se também, superar seus preconceitos, seu racismo, sua ignorância. Dar lugar à confiança no ser humano (tão desprestigiada anda a confiança no próximo, não?), permitir-se ser mais tolerante, mais generoso, mais benevolente. O cidadão do mundo, ao meu ver, deveria esquecer a relação hóspede/hospedeiro e colocar-se sempre na posição de hospedeiro. É como se eu, na minha primeira vez em Salvador viesse preocupada com o fato do povo ser gentil comigo. Por que pensar no que vou receber? Ora, minha preocupação é em eu ser gentil com vocês. Que eu possa dar meu melhor, marcar a vida das pessoas, agregar valor ao nosso encontro. Pensar no que eu posso fazer, e não responsabilizar os outros por isso. Creio que isso dá mais chances do encontro dar certo.
De que forma o seu trabalho, suas palestras ajudam brasileiros que querem embarcar rumo a uma nova vida em outro país?
Os Treinamentos Interculturais observam a seguinte metodologia: conhecer-se enquanto brasileiro, conhecer o outro como estrangeiro e compreender a interação desses pares. Isso nos leva a alguns benefícios: um baixo n° de retornos precoces em programas internacionais; melhora na performance do participante; alta produtividade & aproveitamento na permanência; maior ajustamento e adaptabilidade; maior satisfação dos hospedeiros, a
umento significativo no sucesso dos programas e negócios internacionais; maior produtividade/lucratividade nas negociações estrangeiras; baixos incidentes que possam prejudicar a organização ou o país hospedeiro; aumento da fidedignidade/confiabilidade na empresa agenciadora junto aos parceiros internacionais; fortalecimento da imagem e confiança da agência no mercado local e internacional; menos problemas entre agentes internacionais e brasileiros.
Invertendo a situação, o que os brasileiros que acolhem e lidam com estrangeiros devem saber para recebê-los bem e, ao mesmo tempo, aproveitar ao máximo este choque de culturas?
A mesma lógica do Treinamento Intercultural para ser bem recebido aplica-se ao bem receber. Compreender o outro, sua cultura, seu legado, sua história e compreender a si mesmo também. Acho que em geral somos bons nisso. Grandes pesquisadores da Psicologia Intercultural dizem que o Brasil é um de nossos melhores laboratórios. Mas insisto que agências do governo, agências de intercâmbio e empresas estrangeiras que querem colocar-se por aqui devem prestar mais atenção aos benefícios que esta nova Psicologia tem a oferecer.
E quanto à peculiar experiência com os refugiados de guerra e exilados de Madri. Qual foi o maior aprendizado?
O maior aprendizado pode ser resumido numa frase que coloquei num de meus livros: A terra é meu país e a humanidade minha família (Mahamta Ghandi). Nossas semelhanças são incríveis e nossa diversidade é saborosa. Saber celebrá-las. Compreender a profunda interdependência dos povos, sermos mais solidários, mais gente, mais irmãos. Na Europa há muita discriminação com os refugiados, colocando-os sempre no lugar do bandido, do delinqüente. Precisamos rever isso urgentemente: o refugiado não é o algoz, é a vítima. Não está ali porque quer, mas porque foi banido ou porque fugiu de situações horrendas. Rever nosso conceito inclusive aqui no Brasil quando discrimina-se os migrantes nordestinos e atribui-se a eles crimes que não cometeram. Será que existe alguém nesse mundo que realmente opta por deixar seu país, seu berço, sua família, suas raízes, seu idioma para viver em campos de refugiados ou marginalizados em grandes cidades porque quer?
Qual o público alvo da palestra que a senhora realizará em Salvador. Que tema será abordado no encontro?
Estarei falando sobre Psicologia Intercultural, sobre adaptação de brasileiros no exterior, sobre os ganhos das experiências interculturais e sobre o que vem a ser os cross-cultural trainings. O público convidado são todas as pessoas interessadas nisso: sobre o estudo e a pesquisa, sobre ir para o exterior, fazer intercâmbio, familiares de quem está no exterior ou até quem voltou também, caso esteja num momento de readaptação.
Recentemente, a senhora realizou treinamento com nove diretores da Embratur que serão responsáveis pelos escritórios brasileiros de Turismo (EBT) do órgão em cidades como Frankfurt, Paris e Nova York. No que consiste este treinamento intercultural?
Os treinamentos interculturais realizados por mim fazem parte de uma metodologia patenteada chamada Intercultural Trainingâ. Eles se aplicam as mais diferentes situações: jovens que fazem intercâmbio, executivos que moram ou negociam com culturas estrangeiras, estrangeiros no Brasil, empresas multinacionais, órgãos do governo em contato com culturas estrangeiras. Eles podem ser voltados exclusivamente para determinado país ( por exemplo, grupos em negociação com os Tigres Asiáticos), para determinados objetivos (estudantes de high school), para determinado público ( um grupo de trainees que vão para Dinamarca).
O treinamento sobre educação intercultural, baseado em idéias da Unesco pelo Programa Cultura para a Paz, utilizado também pelo Council of Europe, tem o objetivo de preparar alunos para a miscigenação de raças e para a administração de possíveis conflitos com pressupostos pacíficos. Explique melhor a utilização de jogos e teatralização para tratar de temas delicados como preconceito e discriminação?
Uso técnicas chamadas “jogos de simulação intercultural e jogos de análise intercultural”, justamente estas aprendidas nestes órgãos europeus. Não há nada mais ineficiente do que dizer para uma pessoa que ela precisa se adaptar, ser mais madura ou deixar de ser preconceituosa. Essas mudanças de comportamento não respondem à argumentação racional. Há que fazer com que as pessoas sintam (na prática) o que estamos falando e logo, oferecer uma teoria científica séria e coerente que dê luz a esses fenômenos. Creio que a junção da técnica e do afeto são remédios eficazes para a sensibilização das pessoas.
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Matéria publicada no site do Correio da Bahia no dia 15/11/2006
Canadá é o país preferido dos baianos
Cidades de Toronto e Vancouver são os principais destinos de intercâmbio
É impossível fazer intercâmbio e não usufruir dos prazeres do país escolhido. Quem faz esse tipo de viagem também desfruta das opções de turismo de cada destinos e o Canadá está entre os mais procurados pelos intercambistas baianos. De cada dez pessoas que procuram as principais agências de intercâmbio de Salvador, como a Gran Via, Experimento, Student Travel Bureau (STB) e a Cultura Inglesa, seis desejam ir para o Canadá.
“O custo de vida no Canadá é mais baixo e isso é um dos principais motivos para ir para lá”, afirmou Claudia Martins, gerente de marketing da STB. Além disso, a excelente qualidade de vida, o acesso à educação, os baixos índices de violência e tolerância às diferenças culturais são atrativos que levam o Canadá a ostentar uma das populações mais cosmopolitas do planeta.
De acordo com Claudia, nos últimos dez anos houve uma redistribuição dos destinos procurados por intercambistas para aprender inglês, e nessa fase descobriu-se que o Canadá, além de ser mais barato é um país lindo, cheio de belezas naturais e de um povo muito hospitaleiro, que estava pronto para receber o resto do mundo. “Mesmo porque as pessoas começaram a procurar lugares diferentes, fugindo mais dos roteiros típicos Estados Unidos e Inglaterra”, explicou Claudia.
Para Márcia Gilla, diretora da agência de viagem Oceani, que trabalha em parceria com a Cultura Inglesa, além de estudar, o intercambista tem que ter em mente que ele deve aproveitar essa experiência para conhecer os pontos turísticos da cidade escolhida e para Euclides Bonini, da Experimento, essa escolha depende muito do perfil da pessoa.
“Se você é um jovem que gosta de festa e agito, o agente não pode lhe mandar para uma cidadezinha do interior, na qual a família que vai hospedá-lo pode ser muito conservadora”, exemplificou Andréa Sebben, mestre em Psicologia das Relações Interculturais.
Outro ponto importante sinalizado por Andréa nesta questão é o clima do país. “O estudante tem que explicar para o agente se gosta mais de um friozinho ou se é adepto de um sol forte e clima tropical. Isso vai determinar uma melhor adaptação ao destino escolhido”, orientou a psicóloga.
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Pacotes de viagem
Student Travel Bureau - Curso de inglês de quatro semanas, sendo 30 horas/aula com material incluso, na Escola ILSC - Language Studies Canada, incluindo acomodação em casa de família com todas as refeições e assistência médica internacional. Preços a partir de US$1.857. Telefone: 3334-7566. Site: www.stb.com.br/
Gran Via Intercâmbio – Cursos de idioma de quatro semanas com acomodações em dormitórios, na Escola KGIC, por US$920. Telefone: 3358-8386. Site: www.granviaviagens.com.br
Cultura Inglesa - Curso intensivo de idioma de quatro semanas na Escola Omnicon, em Toronto, com acomodação em casa de família (quarto individual), com regime de meia-pensão por US$1.089. O traslado de chegada é opcional e custa US$85, além da taxa de processamento da matrícula, de US$80. Telefone: 3248-0255. Site: www.culturainglesa-ba.com.br
Experimento - Curso de idioma de quatro semanas na escola ILSC, sem acomodações e passagem aérea a partir de US$540. Telefone: 3271-5020. Site: www.experimento.org.br
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Toronto é moderna e cosmopolita
As cidades de Toronto e Vancouver estão no topo da lista das cidades canadeneses preferidas por estudantes baianos e brasileiros. Em Toronto, a maior cidade do país, com uma população de aproximadamente cinco milhões de habitantes, as taxas de imigração representa 44% do total de habitantes. Os dados da Associação Canadense de Escolas Particulares de Idiomas revelam que 60% dos brasileiros escolhem a cidade para viver e estudar.
A estudante Isadora Godinho, 21 anos, passou dois meses em Toronto e escolheu a cidade porque já conhecia a Terra de Tio Sam e gostaria de um destino novo. “Eu gosto da cidade grande, de agito noturno, de pessoas de mente aberta, mas queria algo diferente e em Toronto eu sabia que ia encontrar tudo isso”, comentou Isadora.
A Torre CN Tower, principal cartão-postal da cidade da província de Ontário, é a mais alta do mundo, com 553m de altura, bem no centro da cidade. No topo da torre, o chão é de vidro, dando a impressão de estar flutuando sobre a cidade, e o restaurante gira 3600, lentamente, propiciando ampla vista. “Com certeza, é um local que não pode deixar de ser visitado”, afirmou o estudante Victor Correa, 19 anos, que fez quatro meses de intercâmbio em Toronto, em 2005.
Toronto possui inúmeros arranha-céus que estão entre os mais altos do mundo, a exemplo do First Canadian Place, de 296m de altura. O novo prédio da prefeitura, construído nos moldes da arquitetura romanesque revival, possui 104m de altura e é belíssimo. Uma outra atração é a Casa Loma, uma grande mansão que dá a impressão de ser um castelo, com área total de 17 mil metros quadrados.
Os parques e praias de Toronto também devem ser visitados. As duas maiores áreas verdes da cidade são as Ilhas Toronto e a Leslie Street Spit, além dos High Park, o Sunnybrook Park, o Rouge Park e o Christie Pits. Outro parque muito visitado é o Queen’s Park, onde está o prédio da Assembléia Legislativa de Ontário, fundado em 1892. A leste e oeste do parque, outra atração é a Universidade de Toronto e, ao norte, está o Royal Ontario Museum, o maior museu do Canadá, com exposição de obras arqueológicas, paleontológicas e uma das mais renomeadas coleções de objetos chineses antigos.
O estudante Victor sugeriu também visita à Art Gallery of Toronto, que abriga várias pinturas e esculturas feitas por artistas de renome internacional, tais como Henry Moore. Além dessa galeria, há o Ontário Science Center, museu de ciência e tecnologia.
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Recanto do mundo todo
A cidade de Vancouver, na Costa Oeste do Canadá, costuma atrair os adoradores dos esportes de inverno, principalmente do esqui. É uma cidade charmosa e segura, mas sem os agitos de uma grande metrópole, como Toronto. No Verão, a temperatura chega a 260C, fazendo com que nativos e turistas aproveitem as praias de English Bay e pratiquem canoagem em False Creek.
Eleita como a Melhor cidade das Américas, em 2004, pela revista Condé Nast Traveller, Vancouver é banhada pelas águas do Pacífico, rodeada por montanhas cheias de pistas de esqui. A estação de Whistler, uma das melhores pistas de esqui do país, fica apenas a uma hora e meia de carro da cidade.
A multiculturalidade da cidade, de 2,1 milhões de habitantes, também é uma das razões para tanta simpatia. Há gente do mundo inteiro como indianos, vietnamitas, filipinos, franceses, alemães, espanhóis, iranianos e gregos, além dos chineses, sem dúvida, a maior população de imigrantes de Vancouver. O bairro de Chinatown é um dos seus principais atrativos.
Outro bom programa é caminhar por Granville St., Robson St. e Burrard St., no centro da cidade, rumo a Gastown, o distrito onde Vancouver foi fundada, em 1867. Ali, há lojas de souvenires e um relógio a vapor, projetado em 1875, e criado somente em 1977, que lança fumaça nas horas cheias e toca música.
Há em Vancouver 180 parques, o maior é o Stanley Park. Mas o mais visitado é Queen Elizabeth Park, de 52 hectares, devido aos seus jardins que parecem um tapete, usados por noivos como cenário para fotos de casamento e por chineses, que ali praticam tai chi chuan.
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Por Mariana Ramos, matéria publicada no CORREIO DA BAHIA - 06/04/06
Jovens ganham o mundo
Programas de intercâmbio oferecem viagens de estudo, trabalho, turismo e grandes experiências
Viagem bem planejada, escolha de agência de intercâmbio conceituada e acompanhamento psicológico dão mais segurança e confiança ao intercambista
O mundo é o limite! Essa é uma frase ouvida por aí que parece fazer cada vez mais sentido. As tradicionais viagens em grupos de adolescentes para destinos comuns como Canadá, Inglaterra e Estados Unidos transformam-se em aventuras de seis meses a um ano. Os mais variados programas de intercâmbio, high school, work e travel, abrem as portas do mundo para crianças, adolescentes e jovens, unindo muita diversão e aprendizado.
O programa mais comum é o high school, no qual os intercambistas freqüentam normalmente o período letivo, na série compatível com a escola de origem, assim como as disciplinas, com exceção para língua portuguesa, história, geografia, entre outras que são regionalizadas. Normalmente, os jovens que embarcam nessa opção têm entre 14 e 18 anos.
Baiana de 16 anos, Roberta Tannus viajou em agosto de 2005 para passar um ano nos Estados Unidos cursando o high school. Para ela, a experiência do intercâmbio é o que existe de mais fascinante. "Eu ganhei fluência da língua, amadurecimento e o mais importante: conhecimento cultural e inteligência emocional. Diversão, aprendizagem e saudade são as três palavras que eu lido diariamente. Quanto à última, agora sinto do Brasil mas, com certeza, quando voltar, a saudade será daqui (EUA)", relata Roberta.
Outra opção, mais adequada para quem quer aprender sem ficar tanto tempo longe de casa, são os programas que duram de duas semanas a dois meses, durante o intervalo do período letivo (janeiro, junho, julho e agosto). Rafael Brandão, 18 anos, concluiu o terceiro ano em 2005 e aproveitou o tempo livre até iniciar a faculdade para aperfeiçoar o inglês. Ele foi para Toronto (Canadá), ficou em casa de família e fez um curso de idiomas. Ele define a experiência como "indescritível": "desenvolvi mais a pronúncia das palavras, o sotaque, conheci a cultura do país, adorei tudo e agora só penso em voltar para lá", comenta.
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Dicas para uma boa viagem
As viagens internacionais sempre causam mais expectativas. As pessoas ficam ansiosas, cheias de planos e preocupações com vistos, idioma, dólares e o que levar na bagagem. Se é o filho ou a filha que está embarcando sozinho para se aventurar no país desconhecido, essas emoções se multiplicam. Perto do dia da despedida, os pais começam a se questionar se essa foi uma decisão correta; se não é cedo demais; se o filho vai conseguir se virar sozinho... As preocupações são inevitáveis, mas elas podem ser minimizadas se houver planejamento da viagem e cuidado na escolha da agência.
Andréa Sebben é mestre em Psicologia das Relações Interculturais, membro da IACCP (International Association Cross-Cultural Psychology), autora de dois livros sobre intercâmbios e consultora especializada em psicologia intercultural, atendendo intercambistas de todas as idades e suas famílias. Ela sugere que, para evitar surpresas desagradáveis, o ideal é procurar duas ou três agências e comparar as informações e serviços de cada uma, como treinamentos, reuniões preparatórias e acompanhamento durante a viagem.
"As agências querem vender e muitas delas não se importam com o tratamento dado ao intercambista durante a viagem. Ter um especialista para dar atenção, entrar em contato sempre através de e-mail ou telefone passa mais segurança", afirma. Além disso, até mesmo para que o jovem se adapte com mais facilidade, recomenda-se que os familiares façam contatos esporádicos, pois a adaptação é diretamente proporcional ao desligamento do país de origem e, como explica Andréa, os pais dependem das agências para acompanhar a desenvoltura dos filhos.
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SERVIÇO
IE-Intercâmbios - Oferece pacotes curtos, de colônias de férias para crianças e adolescentes (10 a 18 anos), com atividades voltadas para áreas de interesse específico e aulas de inglês, que custam US$2.300 com passagem aérea, estada, translado e guia brasileiro. O Pop Idol, por exemplo, é uma temporada de três semanas na cidade de Brighton, na Inglaterra, com aulas, danças diferenciadas, orientação de um personal stylist e um city tour por Londres, que não poderia faltar. As outras opções são para aqueles que gostam mais de futebol, basquete ou esportes aquáticos, sempre com aulas e acompanhamento profissional. Telefone: (71) 3113-1515 ou pelo site www.ie-intercambio.com.br
YFU-Youth - Programas de high school para adolescentes de 15 a 18 anos, para os Estados Unidos e alguns países da Europa, Américas do Sul e Central. O preço varia de US$3.885 a US$6.800, de acordo com o destino e tempo de permanência, sem incluir as passagens aéreas. A inscrição deve ser feita, pelo menos, três meses antes da viagem. Telefone: (71)3353-9238. Site: www.yfu.com.br.
Gran Via - Os programas de high school custam em torno de US$4 mil, que é o preço para viver seis meses nos Estados Unidos. A permanência de um ano custa US$4.600 e inclui seguro saúde, alimentação, estada em casa de família e escola. As passagens aéreas (em média US$1 mil), visto (US$250) e taxas de embarque são despesas extras. Rua Leonor Calmon, 44, Edf. Empresarial Cidade Jardim, salas 203 e 204, Cidade Jardim. Salvador. Telefone: (71)3358-8368. Site: www.granviaviagens.com.br
Experimento - O programa de high school iniciado em agosto, nos Estados Unidos, custa US$3.740 para um semestre e US$4.630 para um ano (US$150 de inscrição). O pacote inclui a escola, seleção da família hospedeira, seguro saúde e assistência médica. Preço válido apenas para o Nordeste. Já o programa de férias Erindale College, Canadá, para jovens de 14 a 17 anos, segue o conceito de intercâmbio cultural, com aulas de língua estrangeira e atividades de lazer. A hospedagem é no campus Erindale College, da Universidade de Toronto, às margens do Credit River. Preço: CAD$3.540 (US$3.077), com três refeições diárias, material didático, transfer, atividades esportivas e recreativas, duas excursões, supervisores, seguro médico, serviço semanal de lavanderia e certificado do CISS (Canadian International Student Service). Telefone: (71)3271-5020. Site: www.experimento.com.br.
Andréa Sebben - Mestre em Psicologia das Relações Interculturais e membro da IACCP (International Association Cross-Cultural Psychology). Site: www.andreasebben.com.br.
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Matéria publicada no Correio da Bahia no 24 de agosto de 2005
INTERCAMBISTA X FAMÍLIA ESTRANGEIRA
Dificuldade de adaptação aos costumes e à cultura local gera relação de conflito no novo “lar”
Nada melhor do que o ambiente familiar, certo? Nem sempre. A convivência do intercambista com sua nova “família” pode virar um campo de batalha, uma verdadeira guerra de egos, costumes e culturas. Os irmãos podem não ser os melhores amigos; e os pais os mais compreensíveis e afetivos como em um típico grupo familiar. Mas nem tudo está perdido. Nessa situação a família é como amigo e não pode ser escolhida, basta entrar em contato com o coordenador de intercâmbio e solicitar uma troca. Mas não é tão fácil assim.\, é preciso explicar o porquê da mudança.
“O intercambista tem que dar um motivo para troca e nós iremos investigar e ouvir as famílias para saber o lado delas. Somente depois damos um parecer”, diz Cristianne Carvalho da Gran Via. Essa investigação não é feita apenas para saber quem está errado, mas para verificar se é um motivo forte para a troca. “Às vezes é uma besteira, uma implicância qualquer do adolescente, que não será resolvida com troca de família, e sim, com uma conversa com o intercambista. Nesse caso, entre a intervenção de um psicólogo, que ajuda o jovem a entender as diferenças culturais”, explica Carvalho.
O intercambista tem direito de trocar de família três vezes, no máximo quatro. “A partir daí, a agência que organizou o intercâmbio tem 15 dias para achar outra família”, informa Hélia Fon, da Experimento. Se o intercambista não se adaptar a nenhuma família, não tem jeito, vai ter que voltar para o Brasil. Já a ex-intercambista Júlia Silva não teve chance nem de encontrar outra família. “Me mandaram para Brasil sem ter o direito de me adaptar a outro lar” lembra Júlia.
A diferença cultural é o principal problema enfrentado pelos intercambistas. Alguns países têm a cultura muito diferente da nossa, são a mais individualistas e frios. Isso dificulta a adaptação, principalmente dos jovens que ainda estão em formação de caráter”, diz Cristianne Carvalho, apontando que os países onde os conflitos familiares são mais freqüentes são os Estados Unidos e Inglaterra, onde mais de 30% dos intercambistas têm problemas de relacionamento.
Já a Nova Zelândia, Canadá e Austrália são países mais hospitaleiros, por isso têm menos conflitos, segundo Cristianne. A Psicóloga Andréa Sebben, especialista em relação intercultural, concorda que os Estados Unidos e a Inglaterra sejam os mais difíceis dos brasileiros conviverem, mas dá outras razões para isso. “Os brasileiros são etnocêntricos, ou seja, acha que os estranhos são os estrangeiros, não eles. Os britânicos e americanos também são, e além disso, são nacionalistas, o que não é comum no Brasil. “Por isso existe esse choque”, ressalta Sebben.
Para a psicóloga, refletir e ser flexível é a melhor maneira de lidar com o intercâmbio. A ex-intercambista Hélia Fon, que recentemente de Nova York, concorda com a especialista. “Os intercambistas têm que ser mais flexíveis, tentar reverter os problemas. Eu tive alguns conflitos com minha família, mas não pedi para trocar, não iria adiantar”, disse Hélia. Outra forma de evitar problemas de relacionamento é a conversa. “Antes de viajar, o intercambista deve manter muito contato com a família, tentar reconhece-la e estabelecer as regras, como horário de chegar em casa, uso de carro e outras coisas”, ensina Hélia.
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