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ClicRBS
26/11/2010
Meu escritório é no mundo
Centenas de moradores da Serra estão vivendo no Exterior a trabalho. É gente que, pela sua qualificação, passou na seleção para uma vaga ainda no Brasil ou que foi designada pela sua empresa a atuar em uma filial estrangeira. A experiência que enriquece o currículo tem pontos positivos, como o aprendizado, e negativos, como a saudade da família. Conheça a seguir algumas histórias de expatriados
Caxias do Sul – Quando o horário de expediente se encerra no Brasil, em algum lugar do mundo um caxiense ainda estará trabalhando. Caxias do Sul não exporta somente uma média mensal de US$ 68 milhões em produtos industrializados, mas também mão de obra. Cada vez mais, o conhecimento técnico dos moradores da Serra conquista espaço no mercado internacional. Alguns dos expatriados se inscreveram em seleções no Brasil a uma vaga no Exterior, outros foram designados por suas empresas a trabalhar em unidades lá fora. Longe da vida de turista, o desafio de viver em outro país traz ganhos para a carreira, mas também perdas, como a saudade da família e amigos.
Para se ter uma ideia, somente dois dos maiores grupos de Caxias têm juntos 93 funcionários brasileiros trabalhando fora do Brasil. As empresas Randon possuem 40 brasileiros atuando em oito países: Dubai, Argélia, Alemanha, México, Estados Unidos, China, África do Sul e Argentina. A Marcopolo tem 53 funcionários também em oito países: África do Sul, Argentina, China, Colômbia, Egito, Índia, México e Rússia.
Conforme a psicóloga culturalista Andrea Sebben, que mantém um escritório em Porto Alegre para acompanhar jovens estudantes, executivos expatriados e jogadores de futebol que passarão uma temporada fora do Brasil, a migração é um processo complexo que envolve o expatriado, o anfitrião, a empresa e a família que fica. A preocupação com um parente doente no Brasil, o nervosismo em saber se o seguro saúde da companhia terá cobertura internacional, tudo isso influencia também o desempenho profissional.
– Todo mundo que vai (para fora do país) tem uma série de perdas e ganhos. Quando se parte, tu sabes o que estás perdendo: os amigos, o arroz e feijão, tua cidade, mas não sabe o que está ganhando. As perdas são instantâneas, do dia para a noite, mas o ganho é abstrato e vem com o tempo – explica Andrea.
Algumas empresas enviam não só o funcionário mas também mulher, marido ou filhos para facilitar a adaptação.
– Há ganhos e perdas. Ter a família por perto é o máximo, porque tu tens pessoas que sabem quem é Odete Roitman e o que é pão de queijo. A parte ruim é que tu te sentes extremamente responsável pelo grupo. Mas é preciso entender que cada um tem sua responsabilidade – esclarece.
As principais dificuldades na adaptação, segundo a psicóloga, estão ligadas a questões culturais. A primeira costuma ser o idioma e a segunda, a capacidade de se sentir familiarizado com o lugar:
– Para te sentires pertencente, tens que saber onde é o médico, onde se compra presunto, se é que tem presunto naquele país. E isso se constrói, demora algum tempo.
Entre as características que um profissional que se candidata a um trabalho no Exterior deve ter, a psicóloga cita a humildade como a principal.
– Na 7ª, na 8º série, na faculdade, as pessoas querem aprender. O que costuma acontecer é quando se atinge uma etapa grande na carreira, quando se é um executivo, tu não queres mais aprender, tu queres ensinar. E às vezes, nem se dá conta disso. Mas não é porque tu és muito bom aqui, que tu te darás bem no Japão – exemplifica.
Por Kelly Isis Pelisser
20/05/2010
Psicóloga ajuda Sandro a relaxar antes da Inglaterra
Jogador faz um treinamento intercultural para se adaptar melhor
Pode ser o último jogo de Sandro com a camisa do Inter. Ninguém no Inter pensa nisso, é claro, mas o volante está levando muito a sério o seu momento de deixar o clube. Ele deve embarcar à Inglaterra e se apresentar ao Tottenham assim que terminar a participação colorada na Libertadores. Além de estudar inglês com afinco e disciplina nas poucas horas vagas, Sandro inova: está fazendo treinamento intercultural com uma equipe de profissionais especializada na adaptação de brasileiros no Exterior. A mulher, Suyê, o acompanha nas sessões. Até os pais, Rosângela e Joaci, participam quando estão em Porto Alegre.
— Estou levando muito a sério esta nova etapa da minha vida. O treinamento intercultural tem me ajudado a encarar com mais tranquilidade o tempo que ainda terei pelo Inter. Ir para um lugar tão diferente deixa de ser um bicho de sete cabeças. Eu jogo mais calmo — explica Sandro, cujas boas atuações indicam que a ansiedade pela Europa não tem atrapalhado o seu desempenho na Libertadores.
Quem faz o trabalho com o jogador é a equipe de Andrea Sebben, psicóloga com especialização neste tema em Espanha, Bélgica e Estados Unidos. Ela mora no mesmo condomínio de Guiñazu e Índio, que a indicaram para Sandro, um tanto agoniado com a mudança radical de vida que se avizinha.
Andrea trabalha há 17 anos ajudando na adaptação de quem sai do Brasil, mas no futebol, Sandro é o pioneiro. Tem 32 agências de intercâmbio do mundo todo como clientes, além de vários executivos de grandes empresas. Ela tem feito simulações com Sandro, sob forma de teatro, para ele experimentar as reconhecidas rigidez e formalidade dos britânicos.
— As estatísticas da CBF indicam que a metade dos jogadores que deixam o Brasil voltam antes de terminar o contrato. A frase clássica que mais ouço de quem sai: "nossa, que mundo estranho". Mas não podemos achar que o nosso repertório de vida funciona em qualquer lugar. O britânico, por exemplo, não aceita desculpa da chuva ou do trânsito para um atraso, por exemplo — explica Andrea.
Por Diogo Oliver
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