O Colatinista

Matéria publicada por Fábio Lionhares e Fernanda Hirata,  no dia 25 de maio de 2006, no jornal O Colatinista

Intercâmbios Culturais cada vez mais comuns
O número de jovens que procuram os intercâmbios cresceu 400% desde 1990

         O número de adolescentes e jovens que estão saindo para morar em outro país por um curto período de tempo cresce a cada dia. De acordo com os dados da Belta (Brazilian Educational and Language Association), uma associação que reúne as principais empresas de intercâmbio do país, só na década de 90 o número de intercambistas subiu 400%.
Para a psicóloga culturalista Andréa Sebben, intercâmbio é um esforço sadio de romper suas fronteiras. Limitações, preconceitos, inseguranças e barreiras culturais e, com isso, nasce um novo indivíduo. “Ao decidir participar de um intercâmbio cultural, o jovem procura conhecer outras pessoas, fazer amizades, viajar, sem saber que, sobretudo, irá ao encontro de si mesmo”, disse.
É o caso do intercambista Davi Tápias, 16 anos. Ele que está na Escócia desde agosto de 2005, conta que no começo foi a foi “a coisa mais estranha possível”. “Eu achei que não ia dar conta, mas vi que nada é exatamente ruim. É só diferente. Daí fui me acostumando, umas coisas demoraram, outras eu nem me acostumei ainda e nunca irei, mas é muito bom”, contou o estudante.
Ainda hoje o intercâmbio é visto como uma aventura de adolescentes idealistas. Mas sair sem a devida noção do que espera lá fora pode acabar prejudicando os planos de vida no exterior. Essa preparação começa meses antes da partida no aeroporto com a procura de informações, de melhores agencias e de programas mais confiáveis. Além disso, algumas empresas oferecem um treinamento intercultural que visa amenizar o impacto da adaptação na cultura estrangeira.
Davi conta que o mais demorado foi escolher agência de intercâmbio. “A maioria delas vinha com um jargão intercultural muito comum, com umas coisas decoradas. Consegui achar uma agência que juntou gente nova com cabeça legal e profissionalismo”, disse.
Ele participou do treinamento promovido pela agência antes da viagem, com a psicóloga Andréa Sebben, diz que foi muito importante. “Quando me falavam desse treinamento eu nunca ia imaginar que era tão dinâmico. Ela (Andréa) sabia exatamente com a gente se sentia”, ressaltou.
O intercâmbio não envolve só o jovem que está de partida, mas sim todos seus familiares, amigos, namorados e namoradas. “O esforço dedicado para que o jovem possa participar do programa e para que ‘se adapte, aproveite, e seja feliz’ é imensurável”, destacou Andréa Sebben.
No entanto, para muitos, viver no exterior caba tornando-se um fardo, uma obrigação a cumprir. Para Andréa, “a volta, ou o retorno prematuro destes intercambistas, traz muito sofrimento não só para eles, mas para todo aqueles que estiverem esperando por eles”.

Inverso

         Pessoas de outros países também se interessam pelo Brasil. A australiana Jésica Currey, que já havia visitado sete países, foi uma delas. Hoje, ela vive com uma família em Villa Velha. A intercambista ama o Brasil. “Eu gosto do clima, amo minha família brasileira, gosto do carnaval”, afirma. Para ela a fase de adaptação com a família foi a mais difícil, pela disparidade da alimentação e dos hábitos.   
A família que acomoda esses intercambistas é selecionada pela agência com o perfil cadastrado, segundo a coordenadora do intercâmbio, Alini Faccini, para família ser escolhida, ela tem que ter uma estrutura familiar, um perfil compatível com o do estudante, para não haver um impacto muito grande entre a família e o intercambista.
Maria do Carmo Calmon, que está recebendo Jéssica, considera ter uma pessoa de outro país em casa uma experiência ótima e única. Para ela é uma oportunidade de conhecer outra cultura. “Aprendi muitas coisas com a Jéssica, conheci melhor o modo de vida dos australianos”, ressalta.
O intercâmbio cultural funciona Omo uma troca de culturas. O período de duração do intercâmbio pode variar de três meses até um ano. As famílias que gostariam de receber um intercambista devem se cadastra em alguma agência de intercâmbio e esperar ser selecionado.

 

 
     
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