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Estado de Minas
Matéria publicada no Estado de Minas, Caderno D+, no dia 13 de março de 200.
CIDADÃOS DO MUNDO
No contexto globalizado, é cada vez maior o número de jovens que participam de programas de intercâmbio, ou mesmo profissionais que são enviados a outros países para promover ou intensificar as relações comerciais. Viver em outra cultura, compreender os costumes e se adaptar longe de familiares e amigos não é fácil.
Para tratar do tema, a psicóloga e especialista em treinamento intercultural Andréa Sebben estará em Belo Horizonte, amanhã, para ministrar a palestra “Compreendendo a adaptação do brasileiro no exterior”. Autora de livros na área comportamental dos povos, negociação com culturas estrangeiras e intercâmbio cultural, Andréa irá elucidar importantes aspectos sobre vivência fora do país de origem.
Entre os temas abordados estão a partida, a preparação de familiares, as relações em outro país e readaptação ao Brasil. A palestra é dirigida principalmente a pais e alunos interessados em programas de estudo no exterior, como high school.
A palestra tem entrada franca e será realizada, ás 19h no Park Flat (Rua Viçosa, 153, Bairro São Pedro). As vagas são limitadas e é necessário confirmar presença.
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Matéria publicada no Estado de Minas, Caderno D+, no dia 26 de julho de 2005, por Giselle Araújo.
COM O PÉ NO MUNDO
Com base nos estudos da Psicologia Intercultural, Andréa Sebben dá valiosas dicas de comportamento p0ara quem pretende passar algum tempo fora do país. As orientações do livro Intercâmbio Cultural: um guia de educação intercultural para ser cidadão do mundo, da Editora Artes e Ofícios, são válidas não somente para o viajante, mas também para os familiares que ficam e para aqueles que vão receber alguém vindo de terras distantes. Entrevista ao caderno D+, a psicóloga fala sobre algumas características da migração e sobre a importância da psicologia intercultural, que tem apenas duas especialistas no Brasil.
“Observamos que somos incapazes de percebe o relativismo cultural, vendo defeitos em todos lugares aonde vai.”
ESTADO DE MINAS – Como você se especializou em Psicologia Intercultural?
Andréa Sebben – Em 1989, fiz um intercâmbio de seis meses na Espanha. Acabei fazendo faculdade lá, além de um estágio num centro de acolhida a refugiados, subsidiado Pela ONU. Nesse momento, comecei a me perguntar por que a psicologia nunca tinha parado para estudar essas questões de adaptação, saudade, aculturação e diferenças culturais. A partir daí, entrei em contato com a psicologia Intercultural, que estuda a tríade migratória envolvendo a relação hóspede, hospedeiro e situação pregressa, e que analisa o comportamento de quem vai, de quem está lá esperando e de quem fica.
Que características marcam o comportamento das pessoas envolvidas nessa situação?
AS – Na Psicologia intercultural, estudamos bastante o etnocentrismo. Uma das características de quem vai ao encontro do outro é acreditar que sua cultura é regra. Assim, o outro é sempre visto como estranho, o esquisito. O Brasil tende a ver o que é diferente como hostil. Observamos que algumas pessoas são incapazes de perceber o relativismo cultural, vendo defeitos em todos lugares onde vai. E para se dar bem no exterior é preciso se dar conta do quanto somos etnocêntricos.
Como vencer o etnocentrismo?
AS – Consultar um psicólogo intercultural é difícil, porque há apenas duas especialistas no Brasil, eu e a Sílvia Dantas Debiaggi, que é da área acadêmica. Para quem vai viajar, é importante obter conhecimento. Não basta ler um livro sobre o país de destino. Isso não vai trazer sensibilidade do ponto de vista comportamental. O que eu faço é fornecer um treinamento intercultural, que trabalha a sensibilidade das pessoas e melhoram o desempenho do intercambista. Não adianta elaborar argumentações racionais, dizer que é preciso se adaptar. Faço um treinamento, com jogos de análise e simulação intercultural, além de usar as teorias. Isso atende a estudantes e executivos.
Quais os resultados dessa preparação?
AS – Conseguimos aprimorar a performance do intercambista e melhorar a satisfação do hospedeiro, além de aumentar a produção no trabalho local, nos estudos e nas comunicações. A tolerância, a flexibilidade e a adaptação do sujeito também são aprimoradas, além de promoção de conhecimento da própria cultura.
Como lidar com o etnocentrismo sem passar por um treinamento?
AS – O etnocentrismo é um traço muito forte e inconseqüente de alguns povos. Mas quanto mais a pessoa lê, vê filmes e procura informações sobre experiências no exterior – o que não significa apenas ler um guia da França, por exemplo, melhor ela vai perceber as características que diferenciam as culturas e mais facilmente vai tirar proveito da experiência. Para quem pretende fazer intercâmbio, eu sugiro o filme Albergue Espanhol (L’Auberge Espagnole, França/Espanha, 2002), que conta história de um menino que sai de Paris e vai para Barcelona, onde tem que morar com mais seis pessoas de nacionalidades diferentes.
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