Gazeta do Povo

Por Jennifer Koppe a psicóloga Andréa Sebben, autora do livro Intercâmbio Cultural: um guia para ser cidadão do mundo, fala sobre as atitudes dos pais frente ao intercâmbio dos filhose diz “Os pais precisam estar dispostos ou podem estragar tudo”.

Livres para voar

Viajar para um país distante, entrar em contato com outras culturas, fazer novos amigos, aprender um idioma, ampliar os horizontes acadêmicos... São muitos os benefícios do intercâmbio cultural. Por esse motivo, existe um número cada vez maior de jovens interessados em embarcar nesta aventura.

Mas enquanto a cabeça dos jovens se enche de expectativas e planos, para os pais, a experiência pode ser angustiante. Afinal de contas, não é fácil ficar um ano afastado do filho, que estará vivendo há milhares de quilômetros de distância, na casa de uma família desconhecida.

São muitas as dúvidas que pairam sobre a cabeça nessa hora. Meu filho será bem tratado? Posso confiar na família hospedeira? Ele estará seguro?

Para não correr riscos, é preciso estar atento. Fazer muitas perguntas sobre a escola, a cidade onde ele irá morar e aprender o que puder sobre a nova família.

O acompanhamento psicológico também é importante na preparação de pais e filhos. A Central de Intercâmbio oferece um treinamento intercultural para as famílias e assistência antes do embarque, durante a estada e no retorno. “Os pais precisam estar dispostos ou podem estragar tudo. Também é preciso controlar o etnocentrismo, a idéia de que somos melhores do que os outros. Isso dificulta a adaptação deles em outro país”, explica a psicóloga gaúcha Andrea Sebben, especialista em relações interculturais.

Participar do Cross Cultural Training, promovido por Andrea, foi fundamental para o estudante Gabriel Moreira Machado, 17 – que voltou em agosto de Ohio, nos Estados Unidos –, e para os seus pais Lucy e Gualberto. Eles ficaram sabendo com quem Gabriel ia ficar um dia antes do embarque, mas estavam seguros da decisão que tinham tomado. “Como sabiam que era importante para mim, me deixaram ir. Meu pai foi um professor universitário, que já tinha hospedado outros cinco intercambistas. Foi muito legal”, conta.

De acordo com a mãe Lucy, a separação foi difícil, mas ela e o marido sabiam que ele estava feliz. “Ir para os Estados Unidos era o sonho de Gabriel, desde criança. É importante que os pais não prendam psicologicamente o filho, o deixam livre para aprender e aproveitar”, aconselha.

Serviço: Andrea Sebben (psicóloga culturalista), www.andreasebben.com.br.

Afastamento necessário

A estudante Nicole Munhoz, 18 anos, que viajou pela agência EF e voltou em junho, confessa que foi muito difícil se afastar dos amigos e da família quando estava vivendo em Minnesota, nos Estados Unidos. “Somos muito unidos. Eu ligava todo final de semana e sempre mantinha contato com eles através de e-mails e pelo Messenger”, conta.

De acordo com a psicóloga Andrea Sebben, a comunicação constante entre o intercambista e os familiares e amigos prejudica a sua adaptação. “É importante que os pais desencorajem esse contato para que o filho possa fazer novos amigos, aprender a língua, se inserir totalmente nesta nova realidade”, aconselha.

Os pais também precisam estar atentos para as diferenças culturais. A psicóloga conta que muitos ficam chocados com alguns costumes, mas não devem interferir. “Tive que atender uma mãe que ficou horrorizada pelo fato da mãe hospedeira não saber onde a filha estava. Ela precisou entender que na Holanda, a educação é muito mais liberal, mas que não havia nada de errado nisso”, conta Sebben.

Tudo sobre intercâmbio

• Procura – Segundo a agência de intercâmbio EF, o número de estudantes que vão embarcar em 2007 aumentou em 100%.

• Países mais visitados – Em primeiro lugar, os Estados Unidos, seguido do Canadá e da Nova Zelândia.

• Idade ideal – A partir dos 16 anos, ao entrar para o 2.º ano do ensino médio. Alunos do 1.º ano ainda estão em fase de adaptação. Já estudantes do 3.º ano estão preocupados com o vestibular.

• Benefícios – Além do aprimoramento do idioma do país escolhido, os estudantes têm a oportunidade de entrar em contato com outras culturas, diferentes hábitos e costumes. Aprendem a se tornar mais independentes, responsáveis e decididos.
• Período – De 6 meses a 1 ano.

• Maiores problemas – Saudades da família, difícil adaptação, problemas de relacionamento com a família hospedeira e dificuldade para se comunicar com os outros quando não existe um conhecimento básico do idioma do país.

• Cuidados – O primeiro passo é pesquisar e escolher uma agência de intercâmbios com tradição e experiência no mercado. Não tenha dúvidas, pergunte tudo. Tente assim que possível entrar em contato com a família que hospedará o seu filho. O ideal é escolher agências que não paguem hospedagem às famílias que vão receber o estudante.

Fonte: Florinda Marques (EF Curitiba) e Monica Oliveira (Central de Intercâmbio).

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Curitiba, 26 de novembro de 2006.

A estudante Nicole Munhoz, 18 anos, que viajou pela agência EF e voltou em junho, confessa que foi muito difícil se afastar dos amigos e da família quando estava vivendo em Minnesota, nos Estados Unidos. “Somos muito unidos. Eu ligava todo final de semana e sempre mantinha contato com eles através de e-mails e pelo Messenger”, conta.

De acordo com a psicóloga Andrea Sebben, a comunicação constante entre o intercambista e os familiares e amigos prejudica a sua adaptação. “É importante que os pais desencorajem esse contato para que o filho possa fazer novos amigos, aprender a língua, se inserir totalmente nesta nova realidade”, aconselha.

Os pais também precisam estar atentos para as diferenças culturais. A psicóloga conta que muitos ficam chocados com alguns costumes, mas não devem interferir. “Tive que atender uma mãe que ficou horrorizada pelo fato da mãe hospedeira não saber onde a filha estava. Ela precisou entender que na Holanda, a educação é muito mais liberal, mas que não havia nada de errado nisso”, conta Sebben.

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Educação para a paz

É um temas que a psicóloga Andrea Sebben aborda hoje em palestra sobre Intercâmbio Cultural, às 19 h, no Full Jazz Hotel.

• Leia a nota no site »

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De malas prontas para o mundo

Fazer um intercâmbio é uma experiência rica tanto para quem viaja para estudar, como para quem recebe um estudante em casa. Saiba o que cada uma das partes ganha com isso e o que é preciso ter em mente para garantir o máximo de diversão e aprendizado.

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