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IESB
O mundo não é o bastante
Em comemoração ao Dia do Estudante, seminário de intercâmbio cultural promove a educação no exterior e os cidadãos do mundo
“Quem diz que a melhor fase da vida é a infância é porque ainda não fez intercâmbio.” Assim Andrea Sebben, psicóloga especializada em treinamento intercultural, começou a falar ao público do Seminário Bex de Intercâmbio Cultural, realizado nos dias 10 e 11 de agosto, no Brasília Shopping. Além de Andrea, ex-intercambistas e representantes de países fizeram palestras, com o objetivo de promover “oportunidades em um mundo sem fronteiras”. Eles esclareceram dúvidas sobre os tipos de programas, bolsas de estudos e expectativas acerca desse sonho.
O carioca Teo Helou foi para a Califórnia no segundo grau e, mais tarde, como universitário pelo programa Work experience, de trabalho nas férias. Durante sua palestra, ele contou com muito bom humor as experiências vividas. Trabalhou como segurança de eventos, “uns muito legais e outros muito chatos”, e participou como figurante em alguns filmes, entre os quais “Guerra dos Mundos”, de Steven Spielberg, com Tom Cruise. Mas lembrou que nem tudo são flores. O sofrimento também faz parte do pacote e é responsável pelo crescimento pessoal. “Os perrengues é que são bons”, arrematou o estudante de medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Estudante de pedagogia da Universidade de Brasília (UnB), Paulo Foerstnow falou depois de Teo Helou e, mesmo com o atraso da palestra e a hora do almoço, a platéia se empolgou com as histórias. Paulo também viajou pelo Work experience e disse que os participantes querem voltar todo ano. “Esse negócio vicia”, comentou. O brasiliense destacou a importância do intercâmbio como um investimento em si próprio e a necessidade de abrir a cabeça. “Tem que ser humilde e dar a cara a tapa”, afirmou.
Psicologia aplicada
Durante o seminário, Andrea Sebben lançou o terceiro livro - Intercâmbio cultural: para entender e se apaixonar e para explicar o sofrimento referido pelos ex-intercambistas, falou de seu trabalho. Ela é a primeira psicóloga a se especializar e aplicar treinamento intercultural no Brasil. Inspirada pela própria trajetória de vida – em 1990 foi para Madri realizar um intercâmbio de seis meses e acabou ficando quatro anos – resolveu estudar a influência cultural no comportamento humano e as dificuldades das experiências migratórias.
Entre a decisão de viajar e o embarque, há muito a ser preparado. Burocracias como documentação, visto, mala e outros detalhes à parte, o psicológico também é importante. Aí entra o papel de Andrea. “Intercâmbio cultural é solidão, é a arte do encontro consigo e com a vida”, pontuou a psicóloga. O treinamento intercultural consiste na união de duas ciências, psicologia e educação. A primeira busca entender os fenômenos migratórios com os quais o viajante se depara, como, por exemplo, tornar-se um imigrante, e a segunda ensina novas formas de comportamento.
Trabalha-se no intercambista, por meio de jogos de análise e simulações, a brasilidade, o egocentrismo, o preconceito, estereótipos e comunicação. “É um cursinho pré-intercâmbio”, brincou Andrea. Ela realiza ainda o acompanhamento durante a estada no exterior. Dessa forma, consegue reduzir os comuns retornos precoces de viajantes despreparados para lidar com o choque cultural, a solidão e outras situações típicas ou não.
Perdida no exterior
Quem já passou por isso sabe bem como é. Larissa Pereira embarcou aos 17 anos no programa de High school em 2003. Foi para ficar um ano e voltou depois de dois meses. Além dos problemas com a família hospedeira, a escola estava despreparada para recebê-la. “O professor quis me dar detenção por atraso, mas ninguém me recebeu na escola ou me orientou para onde eu tinha que ir. Eu me atrasei porque estava perdida”, contou.
Depois de se esforçar para superar as dificuldades, Larissa resolveu desistir. “Lá, ninguém se importa se você está triste”, disse a estudante. Ela não se arrependeu de ter ido nem de ter voltado antes “Passei por coisas ruins, mas depois a gente cresce”, concluiu. Quando voltou, decidiu trabalhar e juntar dinheiro para tentar outra vez. No ano passado, ela retornou aos Estados Unidos para o programa de trabalho nas férias e pretende ir de novo agora em dezembro.
Para quem fica até o fim, o caminho de volta para casa também é complicado e, segundo Andrea Sebben, às vezes até mais que o de ida. Trata-se da “ferida do retorno”, uma situação desconfortável em que o viajante perde a espontaneidade e estranha comportamentos antes normais a seus olhos. “Ele se sente frustrado por não poder mudar o mundo”, explicou a psicóloga, que também ajuda no processo de readaptação ao país de origem.
Atrás do sonho
Outras histórias foram relatadas durante o seminário, no auditório ou em conversas entre os freqüentadores. Na palestra sobre o valor da experiência internacional no mercado de trabalho, a atração foi Juliana Lima. Intercambista de High school dez anos atrás, a brasiliense nunca mais voltou a morar no Brasil. Graduou-se em Moda nos Estados Unidos e se especializou na Itália. Atualmente, é a única estilista brasileira da marca Armani. Compartilhou com as pessoas que lotaram o salão suas experiências, emoções, e deu dicas para quem quer correr atrás do sonho. “Tive muita sorte, mas iniciativa foi fundamental”, finalizou Juliana.
Atrás de realizar sonhos como esse, quem freqüentou o seminário teve a oportunidade de tirar dúvidas, pedir conselhos e esclarecer mitos. Carlos Henrique Alves, 19 anos, ficou empolgado com as histórias que ouviu. “Eu quero muito ir”, desabafou o estudante de administração. Ele pretende participar do programa Work experience nos Estados Unidos no fim do ano e achou muito interessante o seminário ter mostrado tanto os prós como os contras dessas aventuras.
As opções são muitas para quem quer embarcar rumo ao desconhecido. Há o clássico High school para estudantes de ensino médio, trabalho remunerado ou não para universitários, cursos diversos e pós-graduações. Basta procurar uma agência ou entidade e eleger o pacote mais adequado aos planos e ao perfil do viajante. É necessário, porém, escolher bem a empresa responsável pela concretização de tal projeto de vida. A Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta) visa a controlar a qualidade dos serviços prestados por suas associadas e pode ajudar até a encontrar programas específicos.
Os interessados em conhecer melhor as opções para o plano almejado poderão comparecer à Feira de Intercâmbio no dia 25 de agosto, no Hotel Nacional. Das 13h às 21h, agências e entidades estarão disponíveis para atender aqueles ávidos por cruzar fronteiras. Diferentemente do seminário, não haverá palestras, apenas empresas divulgando seus programas, oferecendo orçamentos com descontos e sorteio de brindes. A entrada é gratuita, a saída pode ser cara, mas a educação é para a vida.
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