iG Educação

Por Paula Balsinelli
Explore os hyperlinks: sempre que você clicar na palavra "intercâmbio" vai poder assistir a um vídeo com depoimentos de quem esteve na EXPO Estude no Exterior 2004 e dicas dos especialistas que estavam lá...

Se você pensa em fazer um programa de intercâmbio, principalmente os que duram longos períodos, como o high school, convém refletir a respeito de algumas coisas antes de botar o pé no avião. Geralmente, o estudante se hospeda em casa de família, o que é muito bom, por conta da bagagem cultural acumulada. Viver o cotidiano de uma família estrangeira pode ser, no mínimo, enriquecedor. Além disso, o estudante fica exposto à língua estrangeira durante todo o tempo.

Porém, nem tudo é alegria. A psicóloga intercultural Andréa Sebben, que prepara estudantes brasileiros para intercâmbio há 14 anos, diz que é preciso ter maturidade para encarar um programa como este. “Existem vários motivos para não ir, outros muitos para ir, é preciso ter consciência de que, por conta do intercâmbio, ganhamos algumas coisas, e nos privamos de outras”, disse.

Ganhos e perdas
Quando fala de ganhos, Andréa refere-se a enorme bagagem cultural e fluência em língua estrangeira que o programa de intercâmbio proporciona. Além de conhecer lugares novos e ampliar os horizontes de conquistas, o estudante ganha maior potencial no mercado de trabalho.

O lado ruim é deixar família, amigos, balada e namoros para trás. Sem falar do conforto do lar, da comida da mãe e de todas as regras que você pode infringir na sua casa, mas não na casa dos outros.

A psicóloga alerta para os riscos enfrentados em viagens de intercâmbio, além da solidão, que fatalmente surgirá, principalmente no início da estadia. “Há quem tema a solidão. Neste caso, é conveniente parar e pensar melhor, porque você fatalmente sentirá solidão, todos sentem, é normal”, revela Andréa.

“Quanto ao risco, é óbvio que ele existe. Afinal, viagem de intercâmbio não é como as de turismo, onde todas as atenções estão voltadas para o visitante. Por tudo isso, é preciso ter plena convicção do que você quer”, conta.

Para mudar de vida, mude de ponto de vista!
Também é preciso repensar alguns conceitos:
Temos o costume de achar que tudo o que é nosso é melhor, que Deus é brasileiro, essas coisas. Na escala de etnocentrismo somos grau 10, assim como os norte-americanos. Já os canadenses têm grau 7, e os australianos, 4. Este dado, aparentemente estatístico, revela a dificuldade que nós temos em conviver e aceitar outras culturas. E isso vale para comida, música, esporte etc. Já percebeu quantos brasileiros voltam do exterior falando mal de tudo? Legal mesmo é aceitar o novo, você não precisa se tornar um deles, mas estará no país deles, por isso, seja flexível.

Pense nisso!
Dicas de Andréa Sebben

  • A sua agência de intercâmbio deve ser de inteira confiança. Procure a melhor, mesmo que a busca seja exaustiva.
  • Treinamento: brincadeiras e passeios podem ser divertidos, mas não contribuem para o preparo do aluno. Se tiver oportunidade, faça um treinamento intercultural, que tem o objetivo de preparar o aluno psicologicamente para o contato com novas culturas.
  • Leia: adquira livros sobre intercâmbio, leia também a respeito da cultura do país que você visitará. Ficar longe de nosso país já é difícil, imagine num lugar totalmente desconhecido. Comece a conhecê-lo por meio dos livros.
  • Vá para um país que você ame, ou que pelo menos que goste muito. Nem sempre o programa mais barato é o melhor para você. Alguns brasileiros não se adaptam aos EUA, mas existem vários outros como Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, etc.
  • Não faça intercâmbio para superar um período difícil, fugir de algo, ou simplesmente por embalo. "Uma garota me procurou dizendo que queria fazer intercâmbio nos EUA porque amava ‘Buffy – A Caça Vampiros’. Outra disse que queria ir para os EUA porque tinha amado o documentário do Michael Moore e queria ajudá-lo de alguma forma.", conta a psicóloga. "Isso não faz o mínimo sentido, não é mesmo? Se o intercâmbio é um sonho seu, então faça. Se for um sonho do seu pai, pense melhor sobre o assunto".

Você tem plena consciência do que deseja? Coloque seu objetivo no papel e vença as dificuldades com mais facilidade.

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O intercâmbio e suas dúvidas

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