Revista A a Z

Por que fazer intercâmbio? Pelo menos um milhão de motivos!!

Para se fazer intercâmbio não basta apenas saber um idioma, precisa-se aprender muito sobre si mesmo, sobre o outro, sobre a arte do encontro.

Quando a gente faz intercâmbio, ele tem data para começar, mas não tem data para terminar. Passa-se o resto da vida com a “marca” de quem já foi estrangeiro uma vez na vida.
Entre os receios mais comuns das pessoas que vão morar fora estão o medo de não se adaptarem às diferenças locais, às dificuldades com o idioma, à performance na escola ou no trabalho e à saudade de tudo que tem ligação com o país de origem. Claro que há pessoas que têm mais chance de se adaptar à vida me outro país. Geralmente, tem maior adaptação a pessoa mais tolerante e flexível a outras culturas e com facilidade de negociações interpessoais. Pela minha experiência vejo que não há diferença de idade quando o assunto é adaptação. Tanto faz lidar com um adolescente ou com um adulto, pois as dificuldades no exterior como aculturação, isolamento, integração, são comum a todos que vivem numa comunidade distinta.
Viver no exterior é uma experiência solitária, só quem já viveu pode saber. A viagem é a arte do encontro: o encontro consigo mesmo! É romper fronteiras, limitações preconceitos, inseguranças e barreiras culturais; é praticamente nascer de novo. Autoconhecimento, reflexão, um repensar permanente sobre suas percepções, sobre seu modo de comunicar, pensar e agir, são tarefas implícitas no processo de intercâmbio que muitas vezes passam desapercebidas. Os intercambistas, convém ressaltar, são indivíduos que, repentinamente, estarão separados de tudo que lhes é familiar.
Que existe um crescimento e enriquecimento pessoal no intercâmbio não há dúvidas. Basta ouvirmos os relatos dos veteranos ou dar uma olhada para as agências de intercâmbio sujos diretores são, na sua grande maioria, ex-intercambistas. . Mas os resultados vão além do plano individual e estendem-se ao coletivo: ao aprender a aceitar e a conviver com a diferença, ao se sensibilizar com as minorias (por sentir parte dela quando se encontra sozinho no exterior), ao suplantar seus preconceitos e pudores e dar-se conta da interdependência e da necessidade que temos uns dos outros, uma noção nova de realidade nasce nesse indivíduo. Uma noção de cidadania, de responsabilidade social. Uma das grandes vantagens de desenvolver essa noção de responsabilidade é tornar-se sensível a todos os seres, independente de cor, raça, credo, religião ou nacionalidade.
Essas pessoas voltam, na sua grande maioria, com um sentimento de cidadania ampliada, onde uma vez necessitando de outras pessoas mp exterior quando voltam, procuram “retornar” a o próximo – ao seu vizinho, sua irmã mais velha, seu jardineiro, ...- a solidariedade que lhes foi oferecida. Além do que, ao avaliarem a nova realidade que encontram e comparam àquela deixada para trás, uma conclusão inevitável desponta: a de que todos somos iguais. Dessa maneira, uma nova forma de vida realmente parece nascer, segundo a qual os indivíduos poderão estar separados por nacionalidades, mas unidos por um lastro comum de solidariedade e ética.
Do ponto de vista profissional, as conseqüências do intercâmbio também farão presença no futuro desses jovens, através de suas escolhas e oportunidades profissionais. Cada dia mais as empresas nacionais e internacionais, assim como os órgãos públicos do país, requerem no seu quadro funcional, jovens com experiência no exterior, pois sabem que essas pessoas têm perfil arrojado, iniciativa, flexibilidade, criatividade, coragem e determinação.
Finalmente, do ponto de vista familiar, os pais sentem juntamente com seus filhos o legado que o intercâmbio tem a deixar. Passam por experiências semelhantes ao se depararem com o desconhecido e as inseguranças que a ausência prolongada de seu filho traz. Para muitas famílias, esse é um aspecto que gera profundo sofrimento, logo compensado pela conquista e vitórias   que o filho alcançará.
Quem foi não será o mesmo quando volta, pois terá aprendido muito a respeito de tolerância, generosidade, altruísmo, poder pessoal de marcar a vida das pessoas de forma positiva e genuína. Isso gera auto-estima, autoconfiança, orgulho de si mesmo e na sua capacidade.

 
     
Equipe Andréa Sebben – Psicologia Intercultural © 2009 • Todos Direitos Reservados