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Terra
Andréa Sebben, especialista em cross-cultural trainning concedeu uma entrevista ao Fala Sério!, no site do Terra, em maio de 2005. Andréa fez intercâmbio de seis meses na Espanha antes de se formar. A relação com a família de Madri foi tão boa que ela resolveu fazer sua graduação lá mesmo. Trabalhou em um centro de refugiados de guerra, onde decidiu estudar fenômenos migratórios.
"Não atendo em consultórios fazendo terapias nem faço vocação profissional. Trabalho ajudando brasileiros que vão morar no exterior", disse. Andréa também desempenhou essa atividade na Bélgica e na Itália. O trabalho dela é ajudar estudantes que querem fazer intercâmbio a se livrarem dos medos para ter um melhor desempenho no país onde viverão.
Hoje, faz consultoria para agências (como a Student Travel Bureau – STB, de Porto Alegre), empresas e até para o governo. É também autora de livros sobre o assunto, como Intercâmbio Cultural: um guia de educação intercultural para ser cidadão do mundo.
Terra - A maior parte das pessoas que fazem intercâmbios são estudantes?
Andréa - Sim, mas há trabalhos remunerados na Disney e em cassinos e resorts, todos direcionados a universitários. E há curso de idiomas para estudantes. O pessoal já formado faz cursos de especialização em programas bem específicos.
Quais as maiores dificuldades dos estudantes?
Um dos maiores medos é sobre o desconhecido, de não se ter idéia do que vai encontrar. Ou medo de não conseguir dar conta, não entender (a língua), não conseguir se adaptar, não imergir na comunidade. O intercâmbio é marcado por três características: risco, solidão e ambivalência. No intercâmbio, sabe-se o que se perde, como a família e os amigos, mas não sabe-se o que se ganhará. Há uma dúvida, uma ambivalência: "eu quero, mas não quero; vai ser bom, mas vai ser ruim". Há o risco também, já que no intercâmbio não se tem controle de nada... É diferente do turismo, em que tudo é controlado. A solidão todos sabem como é. A pessoa que não sabe lidar com risco, solidão e ambivalência não pode fazer intercâmbio.
Existe alguma preparação psicológica antes da viagem?
Sim, é o cross cultural trainning. É um treinamento intercultural que transcende a parte psicológica. Há uma pedagogia aplicada que ajuda no autoconhecimento, no conhecimento do outro e na interação com o outro. Todos que fazem trabalhos remunerados no exterior passam pelo cross cultural.
Tem acompanhamento no exterior?
Dependendo do programa, há uma tutela maior. Se for o High School há um tutor (coordenador local) e a família (estrangeira). No Work já não há tanto, pois é a relação dele com empregador direto. Todos intercambistas saem com meus telefones e e-mail. Meu trabalho junto a eles é 24 horas. Podem me ligar a qualquer hora. Falam sobre a primeira transa, o ecstasy que tomaram... Eles usam bastante (o serviço de acompanhamento por telefone). Isso se aplica também a quem está aqui, como pais, mães, noivas e namoradas.
Geralmente, como os estudantes voltam?
Existem personalidades migratórias, por isso digo que intercâmbio não é para qualquer um. Personalidades cilodatas fazem vínculos facilmente, comem qualquer comida, fazem amigos, chegam no Brasil e já querem voltar aos pais de novo. A outra é ocnófila, mais romântica. A pessoa fica na internet, vai a Berlim e pega um pedaço do muro, em Roma, pega uma pedrinha do Foro Romano, tem dificuldade de criar vínculos, mas ao serem criados são profundos. Essas pessoas têm um pouco mais de dificuldades. Mas menos de 1% das pessoas que fazem intercâmbio se prejudicam com a experiência. Acho que as pessoas voltam mudadas para melhor. Intercâmbio desenvolve aptidões, sofisticação, humildade, tolerância, perdão. É tudo de bom.
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