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Virtual Assistance Brazil
Matéria publicada no site da Virtual Assistance Brazil - http://www.vabrazil.com
EXPATRIADOS
Longe de casa, profissionais recebem apoio para facilitar a adaptação cultural
Fonte: Revista Profissional & Negócios - Abril 2006
EMPRESAS PERCEBEM NOVOS ATRIBUTOS DA EXPATRIAÇÃO
Para não ocasionar surpresas indesejáveis, este processo começa a ser tratado com mais cautela e complexidade
Uma atividade muito utilizada por multinacionais é a da expatriação, processo de transferência de profissionais experientes na área em que a empresa deseja trabalhar.
Este processo pode in ou out , ou seja, no caso do Brasil, podem ser transferidos brasileiros para outros países oupodem estrangeiros ser mandados ao Brasil. O processo de expatriação em uma empresa pode ocorrer por diversos motivos. Por exemplo, o banco HSBC Bank Brasil, de origem européia, possui hoje, segundo Mabel Vidal, diretora do depto de Expatriados, cerca de cinqüenta profissionais enquadrados nesta situação (estrangeiros trabalhando no Brasil e brasileiros no exterior). Lá, existem duas formas de fazer o processo. A primeira situação é através da internet, em que todo grupo pode ver as oportunidades internacionais, e candidatar-se a participar do processo de recrutamento seleção. E a segunda que existe, é que a área em que um profissional atua pode estar em desenvolvimento. Logo, é feito o contato com o parceiro de outros países e o processo de transferência começa a progredir.
No geral, a preocupação das organizações em um trabalho como este é saber da experiência do profissional, saber se ele já teve vivência em outros países e saber se ele tem fluência no idioma. Obviamente que estes aspectos são fundamentais para que a expatriação seja um sucesso, entretanto mesmo encontrando o profissional adequado para o trabalho, as empresas começaram a encontrar dificuldades e atrasos neste processo, e foram descobrir mais tarde, que faltava outros detalher a ser analizados que eram os psíquicos.
“As empresas se esquecem de fazer uma analise mais profunda do perfil do executivo expatriado com relação ao perfil cultural do país que o mandará, além de não tratar o aspecto familiar com prioridade, sendo que ele é o aspecto principal para o sucesso da expatriação. As vezes, a empresa até acha um executivo que tem o perfil adequado para ir ao país, ele conhece a língua, o negócio, ele será fantástico, mas a companhia não tem a preocupação de saber se a família está bem orientada e se eles terão condições suficientes para conduzir a vida normalmente em outro país. Isso acaba influenciando na vida do executivo e, ás vezes, auxilia no insucesso da expatriação” coloca Hélio Forte, consultor da Mercer Consultoria.
Como relatado por Jofre, a parte técnica é importante, mas se não conjugada aos aspectos psicológicos, nada terá um efeito positivo, ou pode até ter, mas certamente isto será em maior tempo, resultando em perdas maiores á organização. No caso do HSBC, estes aspectos são prioridades. Como explica Mabel, o currículo com o conhecimento da área é analisado, além do conhecimento do idioma e a facilidade de ter uma movimentação de cultura, enquadrando neste, o aspecto familiar. “Damos um suporte ás famílias, dando ao colaborador diversos benefícios, entre eles, escola para os filhos, se houver, custeada pela empresa, auxílio á esposa, para que ela possa investir em atividades para o seu desenvolvimento ou para questões de adaptação cultural. E esta regre é para todos, tanto para quem vai, quanto para quem vem, pois entendemos que só assim conseguiremos o bem-estar geral entre empresa e colaborador.”
E mesmo com todos estes benefícios, Mabel conta que há diversos projetos para melhoria na expatriação, especialmente no suporte para as famílias de brasileiros que vão. “Insisto nas famílias porque o profissional já vai com o trabalho certo, então a adaptação é mais fácil, agora a família é quem precisa de um outro suporte, especialmente a esposa, pois será ela quem estará convivendo com uma cultura diferente”.
E a fórmula mais adequada para que as empresas, mais especificamente, para que o Recursos Humanos, não esqueça de nada neste processo, é procurar ajuda de empresas especializadas. Claro que como em toda consultoria, o trabalho não deve ficar apenas nas mãos da prestadora de serviço, mas sim, ser um alinhamento entre RH, gestor e fornecedor, o qual aconselhará e ajudará a empresa a escolher o profissional adequado, através de uma análise integral do profissional. “Para uma melhor adaptação, o principal que as empresas precisam adotar é aplicar seminários cross-culturais, que podem ser dados antes da saída e após a chegada do profissional. Nestes seminários, pode-se abordar aspectos psicológicos, crianças nas novas escolas, dificuldades com a língua, medo e expectativas”. Como se percebe, são dicas como essas de Ângela Fedato que auxiliam as empresas a ter um processo mais transparente e objetivo. Ângela é presidente do Grupo de Administradores de Expatriados (GAE) da Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seccional Paraná (ABRH_PR), grupo criado mediante as dificuldades de encontrar informações sobre o processo de transferência de profissionais. O trabalho do grupo visa a troca de experiências e de atualização sobre a questão de expatriado.
No entanto, não se pode esquecer de que é grande a movimentação das empresas com relação a estes aspectos, principalmente os culturais. Na verdade, as organizações estão se conscientizando cada vez mais da importância de trabalhar a questão psicológica de seus colaboradores. Andréa Sebben, psicóloga do treinamento “Intercultural Trainning”, realizado pela Kopelli Consultores, que tem o foco de “preaprar as pessoas para a comunicação e interação intercultural”, como explica Leandro Guerrero, consultor da Kopelli. O processo de expatriação tem três características básicas: ambivalência, solidão e risco.
Dos três aspectos, o que mais marca é a ambivalência, pois quando o profissional sai do seu país, deixa as suas histórias e suas referências. “A pessoa está ambivalente por querer ir, mas ela fala com os amigos e familiares, e logo um fala: - não sei se você deve-, outros dizem: - vai mesmo, não perca a oportunidade-. Enfim, as pessoas se deixam transtornar porque se você está ambivalente, elas também estão. E quem recebe o profissional, pode até estar preparado, mas quando começar os conflitos, a empresa vai logo se perguntar: - mas por que mandaram este cara para cá? – Então é um sentimento que percorre toda tríade, inclusive quando a pessoa vai voltar ao país de origem, ela fica se perguntando: - será que devo voltar mesmo? Será que eu fiz a melhor escolha?, fala Andréa. A psicóloga explica ainda que para enfrentar estes medos e estes conflitos, em primeiro lugar a pessoa precisa ter conhecimento e se preparar cognitiva e emocionalmente. “Ou você domina o medo, ou o medo dominará você.”
Embora um pouco técnico, um dos pontos nevrálgicos da adaptação é o idioma. O idioma é autoconhecimento, é auto-estima e é uma das bases da identidade. Saber este aspecto significa que a pessoa sabe passar a sua mensagem. Quando o estrangeiro tem este obstáculo na comunicação, a reação das pessoas da empresa será medo de chegar perto, vergonha e algumas pessoas podem, inclusive, ter raiva, porque pensarão o que aquela pessoa está fazendo ali. “São as pequenas coisas do dia-a-dia que fazem a diferença". Na minha opinião, quem vai ao país é quem deve se adaptar a cultura e ao comportamento do país, porque nunca uma nação inteira irá se adapatar a uma pessoa. O risco de não conhecer alguns detalhes pode prejudicar o profissional em vários aspectos, tanto pessoal, porque o país pode ter um hábito diferente, quanto profissional.
Em suma, um processo para ser considerado excelente precisa em linhas gerais, verificar as políticas de expatriação, quais os benefícios, educação dos filhos, moradia, assistência médica, analisando qual o tempo de expatriação, qual o perfil do funcionário.
Mais cuidados tembém devem ser tidos com relação á situação jurídica deste profissional expatriado. Neste caso, a ajuda de especialistas é de extrema importância pois os detalhes são muitos e a legislação ainda contém alguns pontos para ser adaptados.
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